Um homem andava despreocupadamente sob o Sol forte e carregava nas costas uma pequena sacola de provisões. Atravessava um imenso campo de trigo. O ar estava parado e o vento descansava. Nada parecia se mover. A monotonia da paisagem era raramente quebrada por uma brisa que, vagarosamente, movimentava o trigo amarelo como uma imensa marola de um oceano manso. O homem carregava sem olhar por onde andava, pisando o amarelo da paisagem.
Repentinamente surgiu no alto da colina um tigre. O animal viu sua presa e partiu para pega-la. Diante do inesperado, o homem abandonou a sacola e correu como nunca havia corrido em sua vida. A velocidade do tirge diminuía a distância entre caçador e presa, e ele percebeu que em mais alguns instantes seria dilacerado pelo animal. Avistou um barranco em uma das bordas do trigal e atirou-se lá. Descobriu que a saliência no terreno era a borda de um profundo precipício. Para escapar, esgueirou-se pela terra, agarrando-se no que podia. Na metade da descida, viu uma velha raiz que saía do penhasco e pendurou-se nela. Dali podia ver os olhos faiscantes do tigre, e só lhe restava continuar descendo. Olhou para baixo e identificou, no fundo do desfiladeiro, uma caverna. Na porta, a fêmea do tigre e os filhotes esperavam o alimento que o macho havia ido caçar.
Agarrou-se ainda mais na raiz. De um pequeno buraco ao lado dela saíram dois ratos: um branco e um preto. Imediatamente, começaram a roer a raiz onde ele estava pendurado. O homem olhou para todos os lados e notou que ao alcance da sua mão havia um arbusto. Era um morango silvestre. Nele havia um único fruto vermelho, apetitoso e fresco.
O homem pegou-o, comeu e achou delicioso.
A vida é um fim em si mesmo.
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