"Certa vez um cão estava quase morto de sede, parado junto à água. Toda vez que ele olhava o seu reflexo na água, ficava assustado e recuava, porque pensava ser outro cão. Finalmente, era tamanha a sua sede, que abandonou o medo e se atirou para dentro d'água. Com isso, o reflexo desapareceu. O cão descobriu que o obstáculo - que era ele próprio - a barreira entre ele e o que buscava, havia desaparecido.
Nós estamos parados no meio do nosso próprio caminho. E, a menos que compreendamos isso, nada será possível em direção ao nosso crescimento. Se a barreira fosse alguma outra pessoa, poderíamos nos desviar. Mas nós somos a barreira. Nós não podemos nos desviar - quem vai desviar-se de quem ? Nossa barreira somos nós e nos seguirá como uma sombra.
Esse é o ponto onde nós estamos - juntos da água, quase mortos de sede. Mas alguma coisa nos impede, porque nós não estamos saltando para dentro. Alguma coisa nos segura. O que é ? É uma espécie de medo. Porque a margem é conhecida, é familiar e pular no rio é ir em direção ao desconhecido. O medo sempre diz: "agarre-se àquilo que é familiar, ao que é conhecido".
E as nossas misérias, nossas tristezas, nossas depressões, nossas angústias, nossos complexos, nos são familiares, são habituais. Nós vivemos com eles por tanto tempo e nos agarramos a eles como se fossem um tesouro. O que nós temos conseguido com isso ? Será que não podemos renunciar às nossas misérias ? Já não vivemos o bastante com elas ? Será que já não nos mutilaram demais ? O que nós estamos esperando ?
Esse é o caso de todos nós. Ninguém nos está impedindo. Apenas o próprio reflexo entre nós e o nosso destino, entre nós como uma semente e nós como uma flor.
Não há ninguém nos impedindo, criando qualquer obstáculo. Portanto, não continuemos a jogar a responsabilidade nos outros. Essa é uma forma de nos consolar. Deixemos de nos consolar, deixemos de ter auto-complacência.
Fiquemos atentos. Abramos os olhos. Vejamos o que está acontecendo com a nossa vida. Escolhamos certo e decidamos dar o salto. "
sexta-feira, 22 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Pequenas histórias de sabedoria Sufi
Olá...To postando duas historinhas pequenas de sabedoria Sufi... Os Sufistas, pra quem não conhece, são a corrente mística e comtemplativa do islamismo... Outra hora posto algo sobre eles....
Dando o que tem
Um sábio chegou à cidade de Akbar, mas as pessoas não deram muita importância. Conseguiu reunir em torno de si apenas alguns jovens, enquanto o resto dos habitantes ironizava seu trabalho.
Passeava com os poucos discípulos pela rua principal, quando um grupo de homens e mulheres começou a insultá-lo. Ao invés de fingir que ignorava o que acontecia, o sábio foi até eles, e abençoou-os.
Ao sair dali, um dos discípulos comentou:
- Eles dizem coisas horríveis, e o senhor responde com belas palavras.
O sábio respondeu:
- Cada um de nós só pode oferecer o que tem.
Distinguindo o bom do mau
Um padeiro queria conhecer Uways, e este foi à padaria disfarçado de mendigo. Pegou um pão, começou a comê-lo: o padeiro espancou-o e atirou-o na rua.
- Louco! - disse um discípulo que chegava - não vê que expulsou o mestre que queria conhecer?
Arrependido, o padeiro foi até a rua, e perguntou o que podia fazer para que o perdoasse. Uways pediu que convidasse a ele e seus discípulos para comer.
O padeiro levou-os até um excelente restaurante, e pediu os pratos mais caros.
- Assim distinguimos o homem bom do homem mau disse Uways para os discípulos, no meio do almoço. - Este padeiro é capaz de gastar dez moedas de ouro num banquete porque sou célebre, mas é incapaz de dar um pão para alimentar um mendigo com fome.
Dando o que tem
Um sábio chegou à cidade de Akbar, mas as pessoas não deram muita importância. Conseguiu reunir em torno de si apenas alguns jovens, enquanto o resto dos habitantes ironizava seu trabalho.
Passeava com os poucos discípulos pela rua principal, quando um grupo de homens e mulheres começou a insultá-lo. Ao invés de fingir que ignorava o que acontecia, o sábio foi até eles, e abençoou-os.
Ao sair dali, um dos discípulos comentou:
- Eles dizem coisas horríveis, e o senhor responde com belas palavras.
O sábio respondeu:
- Cada um de nós só pode oferecer o que tem.
Distinguindo o bom do mau
Um padeiro queria conhecer Uways, e este foi à padaria disfarçado de mendigo. Pegou um pão, começou a comê-lo: o padeiro espancou-o e atirou-o na rua.
- Louco! - disse um discípulo que chegava - não vê que expulsou o mestre que queria conhecer?
Arrependido, o padeiro foi até a rua, e perguntou o que podia fazer para que o perdoasse. Uways pediu que convidasse a ele e seus discípulos para comer.
O padeiro levou-os até um excelente restaurante, e pediu os pratos mais caros.
- Assim distinguimos o homem bom do homem mau disse Uways para os discípulos, no meio do almoço. - Este padeiro é capaz de gastar dez moedas de ouro num banquete porque sou célebre, mas é incapaz de dar um pão para alimentar um mendigo com fome.
Amar
Mais duas reflexões de Osho...A primeira em especial acho muito pertinente...E algo que todos nós ainda temos uma imensa dificuldade...
“O rio passa ao lado da árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lhe água e vai em frente, dançando. Ele não se prende a árvore. A árvore deixa cair suas flores sobre o rio em profunda gratidão, e o rio segue em frente. O vento chega, dança ao redor da árvore e segue em frente. E a árvore empresta seu perfume ao vento. Se a humanidade crescesse, amadurecesse, essa seria a maneira de amar.”
“Se você vive sob a lei, será muito bem sucedido. Se você vive sob o amor, está fadado a ser um fracasso. É uma miséria, uma infelicidade, mas é assim que é: a lei tem sucesso, o amor fracassa – no mundo. Em Deus, o amor tem sucesso e a lei falha. Mas quem se importa com Deus?”
“O rio passa ao lado da árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lhe água e vai em frente, dançando. Ele não se prende a árvore. A árvore deixa cair suas flores sobre o rio em profunda gratidão, e o rio segue em frente. O vento chega, dança ao redor da árvore e segue em frente. E a árvore empresta seu perfume ao vento. Se a humanidade crescesse, amadurecesse, essa seria a maneira de amar.”
“Se você vive sob a lei, será muito bem sucedido. Se você vive sob o amor, está fadado a ser um fracasso. É uma miséria, uma infelicidade, mas é assim que é: a lei tem sucesso, o amor fracassa – no mundo. Em Deus, o amor tem sucesso e a lei falha. Mas quem se importa com Deus?”
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Você já é um iluminado

Já mostrei esse texto pra um ou dois amigos...vale muito a pena ser lido...Retirei do livro de reiki do nosso grande Otavio Leal...
Há alguns anos escutei uma fita cassete de um amigo, Rumi, na qual o Mestre Osho explicava o que era Iluminação. Nela um discipulo de nome Veet Vigyanam perguntava ao Mestre:
"Amado Osho, eu ouvi você dizer que nós somos todos Budas; iluminados, já realizados. Se isso é verdade, por que estou esperando que algo aconteça? Trata-se de um velho hábito ou de um truque da mente?"
"Veet Vigyanam, uma coisa é ouvir, a outra coisa é entender . Você me ouviu dizer que nós somos todos iluminados, mas você não confiou nisso - pelo menos você excluiu a si próprio.
“Talvez todos sejam, mas eu sou um iluminado?”'
Isto era demais para você aceitar, consequentemente, fez a pergunta. Sua questão mostra a sua mais profunda agitação. Você está dizendo: 'Se é assim...' eu não disse que sua iluminação é alguma probabilidade que talvez você seja iluminado, talvez você não seja. Não há nenhum 'se' e nenhum 'mas' ... é uma simples declaração:
'você é iluminado e não pode ser qualquer outra coisa que não seja um iluminado'.
Eu entendo a sua dificuldade. Disseram que você é ignorante e você aceitou, que não é bonito e você aceitou. Apenas observe quantas coisas você tem aceitado. Desde a sua infância, não lhe deram a observação correta. Você tem sempre sido puxado e empurrado de uma forma ou de outra: 'Torne-se isso, torne-se aquilo'.
Ninguem sequer pensou que, se a existência quisesse apenas 'Gautamas Budas', ela teria manufaturado 'Gautamas Budas', exatamente da mesma forma como uma fábrica Ford produz carros Ford, numa linha de montagem; todos exatamente iguais, com tremenda eficiência. A cada minuto um carro novo sai da linha de montagem, vinte e quatro horas por dia, mas a existência não acredita numa situação na qual todos são iguais.
A iluminação de Gautama Buda está fadada a ser a iluminação de Gautama Buda.
A sua iluminação está fadada a ser a sua iluminação.
Seu problema tambem surge da comparação. Você começou a pensar:
'Se eu sou iluminado, então por que eu não sou um Gautama Buda, ou um Jesus Cristo, ou Bodhidharma? Eu sou apenas Veet Vigyanam. Ninguem venera-me. Eu saio por aí e ninguem sequer me nota. Que tipo de iluminação é esta? Certamente eu ainda não a atingi. Certamente ela não ocorreu ainda, ela terá de acontecer'
A idéia de que a iluminação é algo a atingir tem sido propagada com enorme consistência, por milhares de anos. Eu digo a você que iluminação não é algo a obter, é a sua própria natureza.
Se você a está perdendo, a razão não é que você ainda não a atingiu. A razão é que você está procurando por ela a sua volta, em todos os lugares, excluindo você mesmo. Indo a todos os templos, lendo cada escritura sagrada, visitando todos os tipos de pessoas estúpidas que pretendem ser mestres.
Eu quero que declare, neste mesmo instante, que você é iluminado.
Não importa!
Não é necessário que todos devam adorar você.
Por que alguem deveria adorá-lo?
Você está criando condições desnecessárias para a iluminação.
Deixe-me dizer de um modo diferente.
No momento em que você respeita a si próprio como iluminado não pode fazer outra coisa a não ser respeitar a todos como iluminados da forma que eles são. Não existe a necessidade de que todos se enquadrem em certa categoria. Iluminação não é só uma categoria tal onde você tem de comer certo tipo de comida. Se tivesse certa regra como esta - como a de comer espagete - eu teria renunciado à iluminação. É bom que nenhuma escritura sagrada diga que espaguete é a característica de um homem iluminado.
Se você me entende, que na sua própria ordinariedade, você é perfeitamente bom.
Nada precisa ser acrescido à você.
E se pode relaxar nessa ordinariedade, esta própria ordinariedade, devido ao seu relaxamento, tornar-se-á radiante, começará a desabrochar. A sua aceitação, o respeito com você mesmo, será uma nutrição, trará a primavera para seu ser e as flores começarão a abrir suas pétalas.
Mas você nunca está em casa.
Você está procurando na casa dos outros.
Alguns estão na casa de Gautama Buda, outros estão na casa de Lao Tsé, uns na casa de Jesus Cristo, outros na casa de Moisés...
É uma situação muito estranha que você tenha se desviado de tal forma a ponto de todos estarem em um outro lugar, onde não se espera que ele esteja.
Ele não está onde a existência quer que ele esteja.
Eu ensino a imediata e definitiva ordinariedade.
É a mais bonita experiência, porque agora não existe nenhum desejo, nenhuma tensão, nenhuma busca, nenhuma inquirição, nenhum lugar para onde você ir.
Você já está onde você gostaria de estar.
E você está perguntando: 'Se é assim, por que eu ainda estou esperando que algo aconteça?'
Agora eu tenho que responder isto?
Talvez esta seja a sua única iluminação, onde, apesar de ser iluminado, você, ainda assim, procura por algo que ainda vai acontecer. Um pouco maluco - mas isso não destrói a sua iluminação. E um pouco de pessoas malucas tambem são necessárias. Elas trazem sal para a existência. A existência sem pessoas malucas perderá algo bastante interessante.
Mas você não pode aceitar isso.
Você continua perguntando: 'Trata-se de um velho hábito?'
Apenas tentando consolar à si próprio que, apesar de ser iluminado, devido a um velho hábito, continua procurando aqui e ali. Mas, por mais que você procure aqui e ali, sempre será nutrido pelo velho hábito. Estará praticando o velho hábito.
É dificil comer sua comida silenciosa e graciosamente, dormir com o máximo de bem aventurança, tendo uma vida ordinária de ser um carpinteiro ou um sapateiro, ou ser um pintor, um poeta, um dançarino e relaxando no que quer que você seja, sem ter ideais...
Minha própria abordagem é tomar de você os ideais e jogar fora a própria idéia de que a iluminação é algo que acontecerá no futuro. O futuro não existe!
De fato, a idéia de que ela irá acontecer no futuro é simplesmente para evitar o respeito a si mesmo que você pode ter apenas no presente.
Há professores e eles não foram mestres, eles foram tão inconscientes quanto você é.
Eles não estavam conscientes da própria iluminação. Ensinaram moralidade, disciplina, métodos, como se tornar iluminado.
Trata-se de uma coisa muito simples.
Se você pode se tornar doente, pode se tornar saudável e pode se tornar doente novamente.
Iluminação não é algo que você tenha que alcançar, porque o que pode ser alcançado pode ser roubado.
Eu digo isso: 'Você é a própria Iluminação'.
Eu não quero que você atinja a iluminação.
Eu quero que você a vivencie.
A partir desse momento, o que quer que você faça, faça-o do jeito que a iluminação o faria.
A iluminação deve ser uma experiência individual, a mais individual das experiências, incomparável e única para todos.
Uma vez que isso é entendido, todas as nuvens escuras começam a se dissipar.
Veet Vigyanam, eu continuarei repetindo de novo e de novo,
até que isso fique bem claro, que voce é um iluminado.
E você não tem de fazer nada de especial por isso;
tem apenas que ser o que você é, totalmente relaxado, em paz com a existência.
Não indo a lugar algum, não tendo de atingir meta alguma.
Toda a orientação para as metas é que está tornando as pessoas miseráveis.
Disperse todos os objetivos e você começará a dançar neste momento, você tem muita energia envolvida nesse processo de adquirir. Movendo-se distante em sua imaginação; não tem tempo, não tem espaço, não tem energia para estar aqui. (no agora)
Se você puder juntar toda a sua energia neste momento, apenas a acumulação daquela energia se tornará uma dança em seu coração.
E a dança transforma tudo, não os seus esforços.
Apenas aproveite a vida.
Ela é perfeita do jeito que é.
Toda idéia de perfeccionismo cria apenas neurose, patologia e desarranjo da mente"
domingo, 17 de abril de 2011
Tu és isso

-Traga-me um fruto daquela figueira.
-Eis, venerável Senhor.
-Parta-o.
-Está partido, venerável Senhor.
-O que vê nele?
-Estas sementes minúsculas.
-Parta uma delas, meu filho.
-Está partida, venerável Senhor.
-O que você vê ai?
-Absolutamente nada, venerável Senhor.
O pai disse:
-“Essa essência sutil, meu caro, que você não percebe aí – é a verdadeira essência que dá origem a essa grande figueira- nela, tudo o que existe possui seu próprio Eu. Isso é a Verdade. Isso é o Eu. Tu és isso, Svetaketu”
sábado, 16 de abril de 2011
A vida
Um homem andava despreocupadamente sob o Sol forte e carregava nas costas uma pequena sacola de provisões. Atravessava um imenso campo de trigo. O ar estava parado e o vento descansava. Nada parecia se mover. A monotonia da paisagem era raramente quebrada por uma brisa que, vagarosamente, movimentava o trigo amarelo como uma imensa marola de um oceano manso. O homem carregava sem olhar por onde andava, pisando o amarelo da paisagem.
Repentinamente surgiu no alto da colina um tigre. O animal viu sua presa e partiu para pega-la. Diante do inesperado, o homem abandonou a sacola e correu como nunca havia corrido em sua vida. A velocidade do tirge diminuía a distância entre caçador e presa, e ele percebeu que em mais alguns instantes seria dilacerado pelo animal. Avistou um barranco em uma das bordas do trigal e atirou-se lá. Descobriu que a saliência no terreno era a borda de um profundo precipício. Para escapar, esgueirou-se pela terra, agarrando-se no que podia. Na metade da descida, viu uma velha raiz que saía do penhasco e pendurou-se nela. Dali podia ver os olhos faiscantes do tigre, e só lhe restava continuar descendo. Olhou para baixo e identificou, no fundo do desfiladeiro, uma caverna. Na porta, a fêmea do tigre e os filhotes esperavam o alimento que o macho havia ido caçar.
Agarrou-se ainda mais na raiz. De um pequeno buraco ao lado dela saíram dois ratos: um branco e um preto. Imediatamente, começaram a roer a raiz onde ele estava pendurado. O homem olhou para todos os lados e notou que ao alcance da sua mão havia um arbusto. Era um morango silvestre. Nele havia um único fruto vermelho, apetitoso e fresco.
O homem pegou-o, comeu e achou delicioso.
A vida é um fim em si mesmo.
Repentinamente surgiu no alto da colina um tigre. O animal viu sua presa e partiu para pega-la. Diante do inesperado, o homem abandonou a sacola e correu como nunca havia corrido em sua vida. A velocidade do tirge diminuía a distância entre caçador e presa, e ele percebeu que em mais alguns instantes seria dilacerado pelo animal. Avistou um barranco em uma das bordas do trigal e atirou-se lá. Descobriu que a saliência no terreno era a borda de um profundo precipício. Para escapar, esgueirou-se pela terra, agarrando-se no que podia. Na metade da descida, viu uma velha raiz que saía do penhasco e pendurou-se nela. Dali podia ver os olhos faiscantes do tigre, e só lhe restava continuar descendo. Olhou para baixo e identificou, no fundo do desfiladeiro, uma caverna. Na porta, a fêmea do tigre e os filhotes esperavam o alimento que o macho havia ido caçar.
Agarrou-se ainda mais na raiz. De um pequeno buraco ao lado dela saíram dois ratos: um branco e um preto. Imediatamente, começaram a roer a raiz onde ele estava pendurado. O homem olhou para todos os lados e notou que ao alcance da sua mão havia um arbusto. Era um morango silvestre. Nele havia um único fruto vermelho, apetitoso e fresco.
O homem pegou-o, comeu e achou delicioso.
A vida é um fim em si mesmo.
As quatro nobres verdades

Segundo Buda a condição humana é suprema. O Homem é o seu próprio mestre e não existe nem ser nem poder mais elevado que possa reger o seu destino.
Cada um é, portanto, responsável pela sua felicidade ou infelicidade.
Mas aquele que for capaz de descobrir por si próprio a verdadeira natureza dos elos que coordenam o encadeamento infinito das causas e dos efeitos terá quebrado o círculo, e conseguirá a libertação, atingirá a iluminação.
Este ensinamento, condensado nas Quatro Nobre Verdades e descoberto por Buda no momento da sua iluminação, encerra o essencial da sua mensagem, da sua doutrina.
No seu ensinamento, Buda diz: “eis o verdadeiro sofrimento. Eis a verdadeira causa. Eis a verdadeira cessação e eis o verdadeiro caminho”... E diz ainda: “conhecei o sofrimento; renunciai às sua causas; atingi a cessação do sofrimento; segui o verdadeiro caminho”.
Na primeira Nobre Verdade, Buda ensina que toda a vida se encontra impregnada de sofrimento (dukkha, insatisfação profunda, frustração...), que pode manifestar-se sob a forma de sofrimentos físicos ou mentais.
Mais profundamente, o carácter temporário dos momentos de felicidade impede o ser humano de gozar de modo durável um contentamento e uma paz verdadeira.
Quando afirmamos que a vida que geralmente levamos é insatisfatória, esta verdade frequentemente é mal interpretada, levando a crer que para o budismo a vida é sofrimento. Isto não é verdade.
O que os budistas crêem é que o sofrimento, ou pelo menos a insatisfação, faz parte integrante da vida tal como ela é vivida geralmente.
Quando Buda fala do verdadeiro sofrimento , refere-se ao Samsara, ou seja, ao ciclo completo da existência, de nascimento ao renascimento. A origem do Samsara é o karma, isto é, o conjunto dos nossos actos, bons ou maus, e das inevitáveis consequências que deles possa advir.
A Segunda Nobre Verdade diz-nos que existe uma causa para esse sofrimento,
Afirma que é o desejo que causa o sofrimento, exatamente o oposto do nosso ponto de vista habitual.
Fomos criados a pensar que a felicidade vem da satisfação dos nossos desejos, de nos apoderarmos daquilo que desejamos.
É justamente o desejo que nos faz sofrer e o método para sermos felizes não é favorecermos o nosso egoísmo mas elevarmo-nos acima dele.
O jogo perpétuo destas três forças – desejo, apego(apego ou aversão) e ignorância – é a própria dukkha. O poder que este desejo tem de se perpetuar é a própria força que obriga o ser a reencarnar.
Na Terceira Nobre Verdade, Buda diz-nos que é possível cessar esse sofrimento.
A extinção completa do desejo, que a terceira Nobre Verdade aponta como sendo o caminho para a erra¬dicação completa do sofrimento, equivale à transcendên¬cia do “eu”.
Se a reencarnação por um lado representa um sofrimento, por outro lado oferece-nos a oportunidade suplementar de nos aperfeiçoarmos e, portanto, de nos aproximarmos do nirvana.
Neste estado último, o ser vê-se desembaraçado do seu corpo material, mas isto não quer dizer que tenha deixado de existir.
Muito pelo contrário, libertado das cadeias da matéria, continua dispor de uma consciência, bem como de um corpo espiritual liberto da ignorância.
A Quarta Nobre Verdade é o caminho que leva à cessação do sofrimento, o caminho para a transcendência do “eu”.
Existe um método, um Caminho do Meio, que permite acender ao nirvana evitando os dois extremos: a busca da felicidade na dependência única dos prazeres dos sentidos ou na mortificação, conforme as diferentes formas de ascetismo.
Este Caminho do Meio é igualmente designado por Nobre Caminho Óctuplo, porque apresenta oito divisões, sendo conveniente executar simultaneamente o desenvolvimento de todas.
Encontram-se ligadas entre si e cada uma ajuda a cultivar as outras: .
1. Visão perfeita (por vezes traduzida como compreensão)
2. Emoção perfeita (por vezes traduzida como vontade)
3. Discurso perfeito
4. Acção perfeita
5. Meios de subsistência perfeitos
6. Esforço perfeito
7. Atenção perfeita
8. Samadhi perfeito (por vezes traduzido como concentração ou meditação)
Renascimento

Recriando e resignificando o blog...
A partir de hoje tentarei trazer reflexões, questionamentos e pontos de vistas, ou textos de diversas fontes, de diversos de modos de pensar...Textos que acrescentem algo a nossa busca...Que de alguma forma possamos acrescentar algo a nossa mente e ao nosso espirito...
Que muita luz, sabedoria e compaixão nos acompanhem nessa jornada em busca da felicidade e da iluminação...
Namastê
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